Os grandes da Superliga
Superliga é o nome dado a um campeonato de futebol que de super só tem os orçamentos das equipas, perfeitamente megalómanos para um país na linha de água terceiro mundista.
Desaglutinando o termo, encontramos uma mentira e uma metáfora.
A mentira da superioridade: três clubes, que se dizem grandes, a esgotar, quase por completo, as simpatias do universo de seguidores, enquanto derramam desgraças exibicionistas, repetidas extra-muros, a que acrescem mais dois ou três – variáveis, em função das condições de pluviosidade e temperatura – a "dar luta". Pois…
E a metáfora da LIGA: um organismo autónomo que deveria regular ou tutelar o futebol profissional existente em Portugal, mas que de autónomo tem muito pouco e de regulador ainda menos. Neste lago, que não passa de um charco, os clubes não cumprem os compromissos fiscais mas continuam a pescar do outro lado do oceano trutas baratas e desmotivadas, e a pagar-lhes aberrações para os espectáculos apresentados. De facto, de facto, algumas dessas trutas nem num aquário se fariam notar.
A autónoma LIGA dirige os destinos dos clubes em função das cores no poder e sem vestígio do profissionalismo exigido por um mundo que movimenta milhões. Os dirigentes desportivos são distintos representantes da família Batanete, com a especificidade de nos fazerem corar de vergonha cada vez que se aproximam de uma máquina de filmar. Os árbitros (e, a prestar atenção aos epítetos domingueiros, as suas famílias também) são tudo… menos profissionais, o que até torna compreensível que alguns vejam com bons olhos um pequeno descanso num centro de estágio hedonista (eu ia dizer hotel com putas, mas censurei-me), proporcionado por pessoas que vivem do negócio do desporto milionário.
Só neste contexto se percebe o emergir de uma actividade tão lucrativa como a de empresário de futebol. Os empresários são os principais responsáveis por tudo o que de mal se passa à volta do rectângulo verde do jogo (desculpem a do rectângulo verde, mas neste tema o uso de imagens à comentador é contagioso). Eles, sim, são super beneficiados quando as equipas onde os seus jogadores chutam o esférico (ou, como se usa dizer, evoluem no terreno), ganham. No final do campeonato, se o clube onde colocaram os seus escravos futebolísticos for campeão, já podem despachar mais uma remessa a preços exorbitantes, com um lucro escandaloso para o trabalho desenvolvido.
Os Mendes, os Veigas e os Barbosas, são os Grandes desta LIGA, e fazem de tolos todos os que se dedicam a discutir o fenómeno futebolístico. Balelas para as discussões, se querem ver o verdadeiro fenómeno, olhem para o campo: futebol é a bola que entra, é aquela que vai à barra e aquela que sai ao lado.
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